OS SERTÕES:

AS PRÉDICAS DE ANTÔNIO CONSELHEIRO E A POESIA DE CANUDOS

 

ALEILTON FONSECA

 

Antônio Conselheiro, "documento vivo de atavismo"

 

Em Os sertões (1), no capítulo intitulado "O homem", Euclides da Cunha caracteriza a figura de Antônio Conselheiro e, em função de sua imagem, analisa as prédicas e a poesia de Canudos. Sua abordagem da vida religiosa concentra-se sobretudo em avaliar as práticas dos canudenses como sendo determinadas pelo fanatismo conduzido pelo Conselheiro. Já os versos encontrados, que tematizam a Guerra, são vistos como "pobres papéis" que registrariam o efeito das prédicas do beato. Dessa forma, para que se compreendam as observações de Euclides sobre as prédicas e sobre a poesia canudense é preciso observar alguns aspectos da análise que ele faz do Conselheiro.

Euclides da Cunha inicia o capítulo "O homem" discutindo o problema etnológico do Brasil, procurando demonstrar, segundo as teorias raciais correntes no final do século XIX, o processo ainda inconcluso de formação da nossa etnia mestiça, a partir das três raças originais: indígena, africana e européia. Em seguida, procura explicar a gênese do jagunço e descreve o modo de vida do sertanejo, sua cultura e sua personalidade em consonância com o meio físico, com o clima e com fatos históricos da ocupação geográfica, definindo-o como representante de uma sub-raça que seria produto desses condicionantes. Em função disso, procura estabelecer as causas que levariam ao messianismo como expressão de uma religiosidade primitiva que considerava própria de um estádio atrasado de civilização, que estaria então sendo reatualizada pelos canudenses como um fenômeno de atavismo. Assim, os sertanejos comporiam uma sub-raça dentro do processo de miscigenação brasileiro, e que, isolada durante cerca de três séculos, estaria situada à margem do processo civilizatório e do progresso conseguido pela sociedade do espaço litorâneo do país. Sob essa ótica, Antônio Conselheiro emerge como um produto do meio, portador de características determinadas pela hereditariedade, constituindo um documento vivo de atavismo. Euclides afirma: "É natural que estas camadas profundas da nossa estratificação étnica se sublevassem numa anticlinal extraordinária — Antônio Conselheiro".

Com esse epíteto principal, Euclides da Cunha procura traçar as caraterísticas do líder religioso sertanejo, enquadrando-o segundo os conceitos e premissas cientificistas que norteiam sua análise. O beato surge como sendo o falso profeta, um produto do meio, portador de psicose progressiva e consciência delirante:

Todas as crenças ingênuas, do fetichismo bárbaro às aberrações católicas, todas as tendências impulsivas das raças inferiores, livremente exercitadas na indisciplina da vida sertaneja, se condensaram no seu misticismo feroz e extravagante. Ele foi, simultaneamente, o elemento ativo e passivo da agitação de que surgiu. (2)

Para o escritor, Antônio Conselheiro resumia numa individualidade os caracteres negativos da sub-raça, sendo o " falso apóstolo que o próprio excesso de subjetividade predispusera à revolta contra a ordem natural". E assim: "A multidão aclamava-o representante natural de suas aspirações mais altas". Ao traçar o perfil do líder religioso, Euclides destaca-o como uma anticlinal, um "grande homem pelo avesso", uma personalidade forte e carismática resultante do meio social atrasado e formado por homens inferiores, degenerados. Assim, ao lado da descrição "científica", observa-se uma espécie de admiração pelo valor pessoal do pregador, visto como um peregrino, evangelista, "asceta" e "gnóstico bronco" em suas ações edificantes pelos arraiais sertanejos (3) .

As prédicas de Antônio Conselheiro, n’Os sertões

Euclides da Cunha informa que, em suas andanças, Antônio Conselheiro levava "um surrão de couro em que trazia papel, pena e tinta, a Missão abreviada e as Horas Marianas" (4). Ao descrever as peregrinações de Antônio Conselheiro e seus seguidores pelas vilas e povoados sertanejos, mostra como o beato detinha o poder de aglutinar pessoas nas pequenas praças, para ouvir suas pregações. A descrição destaca, de certo modo, o aspecto teatral das pregações:

Erguiam-se na praça, revestidos de folhagens, as latadas, onde à tarde entoavam, os devotos, terços e ladainhas; e quando era grande a concorrência, improvisava-se um palanque ao lado do barracão da feira, no centro do largo, para que a palavra do profeta pudesse irradiar para todos os pontos e edificar todos os crentes. (5)

E adiante:

Ele ali subia e pregava. Era assombroso, afirmam testemunhas existentes. Uma oratória bárbara e arrepiadora, feita de excertos truncados das Horas Marianas, desconexa, abstrusa, agravada, às vezes, pela ousadia extrema das citações latinas; transcorrendo em frases sacudidas; misto inextrincável e confuso de conselhos dogmáticos, preceitos vulgares da moral cristã e de profecias esdrúxulas. (6)

As prédicas de Antônio Conselheiro são consideradas por Euclides como extravasamento de sua loucura. Assim, ao longo de sua análise, concatena juízos negativos a respeito do pregador e das prédicas, num quadro em que se ajustam como resultantes da mesma situação de incultura. O beato é visto como um "orador bárbaro", "truanesco", "pavoroso", "bufão arrebatado", enfim um "heresiarca". Enquanto isso, as prédicas são consideradas "truncadas", "abstrusas", "desconexas", "preceitos vulgares", enfim, "insânia formidável". O ensaísta cita algumas passagens das prédicas, as mais truncadas e confusas possíveis, para corroborar as suas afirmações e apontar nelas "a revivescência de aberrações extintas". Os comentários acerca do conteúdo das prédicas são articulados no sentido de mostrá-las como prova do que seria o estádio retrógrado, o atraso cultural dos sertanejos, em sua expressão religiosa. Nota-se, no entanto, que os fatos, na verdade, são arrolados para preencherem um lugar de antemão demarcado na cadeia explicativa euclideana, através de formulações conceituais estabelecidas a priori. Por outro lado, os fatos analisados não foram observados in loco pelo escritor, mas sim informados por "testemunhas existentes". Assim, os comentários e críticas são feitas a partir de impressões de testemunhas que não eram partidárias do pregador. Dessa forma, observa-se que tanto os depoentes quanto o analista observam os fatos de uma posição de fora, submetendo-os a preconceitos e prejulgamentos. Nesse sentido, a abordagem das práticas religiosas dos conselheiristas perde de vista a sua inserção no espaço sertanejo, como uma forma de resistência e como uma alternativa de sociabilidade religiosa. Assim, como líder espiritual de uma "igreja" à margem da instituição religiosa oficial situada nos parâmetros positivistas de civilização, o Conselheiro é visto como "desnorteado apóstolo" em "missão pervertedora" que "reunia no misticismo doentio todos os erros e supertições que formam o coeficiente de redução da nossa nacionalidade" (7).

As prédicas nos manuscritos de Antônio Conselheiro

As prédicas e discursos de Antônio Conselheiro constam de um caderno manuscrito que foi encontrado em Canudos, após o fim da luta, por João de Sousa Pondé, médico que participou da campanha como cirurgião da última e vencedora expedição militar. Segundo constatou Ataliba Nogueira, a obra manuscrita é autêntica e do próprio punho de Antônio Conselheiro (8). Os manuscritos foram doados por João de Sousa Pondé ao escritor baiano Afrânio Peixoto que, por sua vez, passou-os a Euclides da Cunha, quando Os sertões já estavam publicados. Euclides morreu poucos meses depois e não se sabe se teve tempo de folhear os manuscritos do Conselheiro.

Publicados por Ataliba Nogueira, em 1974, portanto, cerca de 72 anos após o lançamento de Os sertões, os manuscritos do líder religioso trouxeram para os estudiosos o dever e a oportunidade de confrontá-los com a apreciação dos escritos de Euclides da Cunha. Como descreve Ataliba Nogueira, a obra manuscrita consta de 628 páginas, numeradas e sem margem, contendo 14 linhas cada. Escrita em tinta preta, caligrafia boa e regular. O seu formato é de 10 x 14 cm (9).

O manuscrito divide-se em quatro partes. Na primeira, constam "Os mistérios de Maria", em número de 29, cada qual sendo motivo para uma prédica. Na segunda parte, constam os "Dez Mandamentos da Lei de Deus", na forma de comentários e pregações da doutrina. A terceira parte traz textos selecionados dos evangelhos bíblicos, dos apóstolos do Novo Testamento, em que os trechos citados são rigorosamente identificados, com a indicação do apóstolo, do capítulo bíblico e do número do versículo. A quarta parte consta de assuntos esparsos, em que estão desenvolvidas idéias de Antônio Conselheiro acerca de símbolos, ritos e sacramentos católicos (cruz, missa, confissão, feitos de Jesus) e, ao lado disso, seus discursos sobre seu trabalho de edificador de igrejas e sobre a República.

A leitura dos textos de Antônio Conselheiro traz ao leitor de Euclides da Cunha uma surpresa instigadora. Os textos têm um nível considerável de organização, com uma distribuição e uma seqüência lógica dos assuntos. São gramaticalmente bem estruturados e o seu conteúdo religioso, longe de qualquer aberração, é equilibrado e bastante próximo do texto bíblico. Sua aplicação como fundamento para prédicas e discursos situa-se de maneira clara na observância dos valores católicos tradicionais. É certo que em alguns fundamentos a pregação de Conselheiro encontra-se desatualizada em relação aos cânones oficiais. Um exemplo disso é a idéia do direito divino dos reis, raiz de sua discordância em relação ao regime republicano, que a Igreja oficial já abolira. Mas, quanto ao conteúdo dos ensinamentos e da moral religiosa, observa-se que não há motivo para considerá-los "misticismo doentio", ou resultado de "loucura coletiva". Trata-se, na verdade, de uma prática religiosa alternativa e popular que, diante das condições socioculturais e políticas do espaço sertanejo e do embate provocado pela intervenção militar, acabou ganhando um relevo histórico especial.

Com efeito, os discursos que expressam os traços da personalidade e a natureza da liderança do Conselheiro ajudam a esclarecer melhor o seu perfil, em contraposição aos traços negativos estampados em Os sertões. O discurso "Sobre o recebimento da chave da Igreja de Santo Antônio" (10), padroeiro de Belo Monte, revela um líder religioso humilde, sem fanatismo, com um texto estruturado que esclarece posições e idéias de forma clara e inteligível. Nesse discurso, o beato agradece a todos que "concorreram com as suas esmolas e com os seus braços" para a edificação da igreja, prometendo-lhes a recompensa do Bom Jesus. Em seguida, explana sobre o surgimento do catolicismo, sobre o sacrifício de Cristo para a remissão do pecado original e a importância da obediência aos "Mandamentos da Lei de Deus". Posteriormente, faz observações restritivas ao Judaísmo por continuar reverenciando Moisés e não aceitar os princípios da religião cristã. Ao lado disso, critica aqueles que, no seu entendimento, "se movem pela incredulidade", "espalhando doutrinas falsas e errôneas aos ignorantes". Como exemplo, cita judeus, maçons, protestantes e republicanos, acusando os últimos de perseguir a religião do Bom Jesus. Em função disso, reafirma a importância da igreja como forma de congregação:

Portanto a Igreja é a congregação dos fiéis que, por dever indeclinável, devem curvar-se reverentemente diante de Deus, rendendo-lhe as devidas adorações, invocando o seu nome com amorosa confiança, tendo por certo que Deus lhes será propício.

Enfim, o beato termina o seu discurso contando a parábola do semeador, a propósito do trabalho de evangelização e seus diferentes graus de recepção. Observa-se, enfim, no texto, que fica clara a compreensão do Conselheiro acerca do catolicismo, suas origens e fundamentos bíblicos. Observa-se também que as citações bíblicas são pertinentes e lógicas, sendo encaixadas de forma aceitável no discurso, com um tom persuasivo e evangelizador.

No discurso "Sobre a República" (11), estão expostas as idéias de Antônio Conselheiro em que se pode observar um conteúdo mais político, embora sempre determinado pela religião. A premissa fundamental do texto é a de que a República deseja acabar com a religião e por isso é nociva ao povo sertanejo. A República é criticada como "assunto que tem sido o assombro e o abalo dos fiéis". Vista como grande mal para o Brasil, sua implantação é debitada à "incredulidade do homem". Na ótica do Conselheiro, a deposição do monarca contrariava a vontade divina, pois: "Todo poder legítimo é emanação da Onipotência eterna de Deus". Assim, afirma:

É evidente que a república permanece sobre um princípio falso e dele não se pode tirar conseqüência legítima: sustentar o contrário seria absurdo, espantoso e singularíssimo; porque, ainda que ela trouxesse o bem para o país, por si é má, porque vai de encontro à vontade de Deus, com manifesta ofensa de sua divina lei. (12)

Tratava-se, portanto, de uma questão de princípio sustentada por um dogma religioso que fundamentava sua posição contrária ao regime republicano. Em função disso, ele acredita que a República, o novo regime, não triunfará por ser "filha da incredulidade", defende o direito da família real que considera "legitimamente constituída para governar o Brasil", critica a instituição do casamento civil pelos republicanos, comenta aspectos do regime escravocrata e exalta a abolição como um feito da Princesa Isabel em obediência à determinação divina (13). O beato conclui pedindo desculpas aos ouvintes por proferir "palavras excessivamente rígidas, combatendo a maldita república":

Sim, o desejo que tenho da vossa salvação (que fala mais alto do que tudo quanto eu pudesse aqui deduzir) me forçou a proceder daquela maneira. Se porém se acham ressentidos de mim, peço-vos que me perdoeis pelo amor de Deus. (14)

Em seguida, despede-se manifestando o desejo de que os ouvintes correspondam "com aquela conversão sincera", ou seja, com a adesão à causa religiosa e colocando-se contra a ordem republicana. Observa-se, desse modo, que as razões do pregador eram puramente religiosas. Para ele, combater a República era defender a religião. Sem dúvida, sua compreensão do processo histórico é limitada e politicamente equivocada, porquanto somente o analisa do ponto de vista de sua crença religiosa. Contudo, conservador a seu modo, o discurso conselheirista tem uma argumentação explicativa e persuasiva, sem nenhum traço ou tom impositivo. Trata-se de um discurso embasado em idéias passíveis de discordância, de rejeição e de crítica. No entanto, é forçoso reconhecer a sua boa estruturação gramatical e a seqüência lógica de sua cadeia argumentativa, como texto organizado por uma mente sadia. As prédicas e os discursos, longe de denunciarem-no como "heresiarca", "insano" ou "fanático", acabam apresentando-o como líder religioso humilde, sóbrio e consciente da importância congregadora da religião para os sertanejos.

A poesia de Canudos, segundo Euclides da Cunha

Como narra Euclides da Cunha, uma vez tomado definitivamente o arraial de Canudos, os soldados fizeram uma devassa nas casas em ruínas, curiosos, em busca dos despojos, fazendo o "mais pobre dos saques que registra a História" (15). Ali foram encontrados, entre imagens mutiladas e rosários de cocos, o que o autor denomina de "desgraciosos versos":

Pobres papéis, em que a ortografia bárbara corria parelhas com os mais ingênuos absurdos e a escrita irregular e feia parecia fotografar o pensamento torturado, eles resumiam a psicologia da luta. Valiam tudo porque nada valiam. Registravam as prédicas de Antônio Conselheiro; e, lendo-as, põe-se de manifesto quanto eram elas afinal inócuas, refletindo o turvamento intelectual de um infeliz. Porque o que nelas vibra em todas as linhas, é a mesma religiosidade difusa e incongruente, bem pouca significação política permitindo emprestar-se às tendências messiânicas expostas. (16)

A visão do ensaísta acerca dos versos encontrados em Canudos registra-se através de uma avaliação que é, inicialmente, negativa. Os versos são, assim, "pobres papéis" de escrita "irregular e feia" e grafados em "ortografia bárbara" que registram "ingênuos absurdos", fotografavam o "pensamento torturado" dos sertanejos. Euclides faz uma avaliação dos versos considerando-os intrínsecos às circunstâncias de sua elaboração, ao afirmar que "resumiam a psicologia da luta". E faz uma apreciação genérica ao afirmar que os versos, documentos concretos da expressão dos canudenses, "valiam tudo porque nada valiam". Observa-se que, em sua avaliação, Euclides utiliza como premissa o fato de os versos serem registros das prédicas do Conselheiro, antes completamente desqualificadas em seu discurso. Como tal, os versos são vistos como documentos embasados na "religiosidade difusa e incongruente", em seu estádio "primitivo, atrasado", contendo "pouca significação política". Antes de citar passagens dos "desgraciosos versos", Euclides faz ainda os seguintes comentários: Os rudes poetas rimando-lhe os desvarios em quadras incolores, sem a espontaneidade forte dos improvisos sertanejos, deixaram bem vivos documentos nos versos disparatados, que deletreamos pensando, como Renan, que há, rude e eloqüente, a segunda Bíblia do gênero humano. (17)

Considerada ao pé da letra, a explanação de Euclides mostra-se unívoca em sua visão negativa acerca da poesia coletada em Canudos. No entanto, observando-se a formulação de seus conceitos, descontados os adjetivos e ressaltados os substantivos, pode-se perceber, nas entrelinhas, toda a ambigüidade de sua abordagem. Embora explicitamente negativos, os termos da avaliação que ele faz dos versos os legitimam, ainda que indiretamente, como objetos culturais. Como se observa, embora os considerando rudes, o ensaísta confere aos anônimos autores o epíteto de poetas e reconhece os textos enquanto forma poética, em sua estruturação em quadras, embora adjetivando-as de "incolores". Ademais, ao comparar as quadras canudenses com os improvisos sertanejos, que antes descrevera de forma positiva, o ensaísta os valoriza como congêneres, mesmo que numa relação hierárquica desfavorável. Além disso, também os valoriza como documentos cuja citação considera relevante na cadeia argumentativa do seu texto. No final de sua explanação, ele reconhece a importância histórica dos textos, embora os refute como traços de atraso cultural, uma vez que os considera uma prova da existência da "segunda Bíblia do Gênero humano". Este jogo retórico em que a poesia de Canudos é ao mesmo tempo valorizada e depreciada mostra mais uma vez a ambigüidade da posição de Euclides da Cunha. Realmente, abstraindo-se a hierarquização e a negativação formuladas pelo ensaísta, ditadas pelos pressupostos teórico-metodológicos de sua abordagem, pode-se perceber que há uma valorização intrínseca ao modo como ele documenta a manifestação cultural dos canudenses.

Em seguida, uma vez feita de antemão a análise dos versos, Euclides cita "ao acaso", segundo afirma, algumas das quadras encontradas, resumindo-lhes a idéia. Como se sabe, o autor possuía os textos integrais anotados em sua Caderneta de Campo (18), e, dada a extensão do seu ensaio, nada obstava que os citasse na inteireza. No entanto, observa-se que as citações dos trechos "ao acaso" vêm no sentido de corroborar o discurso analítico, ajudando a provar as teses defendidas pelo ensaísta.

O primeiro texto é um abecê, forma poética tradicional do cancioneiro popular, do qual Euclides cita algumas estrofes para mostrar como se resumia nesse "gaguejar do povo", a passagem da Monarquia à República. Eis a citação da terceira estrofe:

 

Sahiu D. Pedro segundo

Para o reyno de Lisboa

Acabosse a monarquia

O Brazil ficou atôa! (19)

 

Nas citações, Euclides faz um rearranjo das estrofes para conseguir o efeito pretendido dentro da lógica de sua argumentação. Assim, seguem-se a sétima, a 15° e a 13° quadras para ilustrarem a visão que os sertanejos tinham da República como sendo a "impiedade" ou a "lei do cão":

 

Garantidos pela lei

Aquelles malvados estão

Nós temos a lei de Deus

Eles têm a lei do cão

Bem desgraçados são elles

Pra fazerem a eleição

Abatendo a lei de Deus

Suspendendo a lei do cão!

Casamento vão fazendo

Só para o povo illudir

Vão casar o povo todo

No casamento civil!

 

Em seguida, o ensaísta cita a 19° estrofe do abecê, à qual junta a décima sexta e fecha com a 22°, para ilustrar a convicção dos sertanejos quanto ao fim próximo do "governo demoníaco", com o triunfo do Conselheiro e do Sebastianismo:

 

D. Sebastião já chegou

E traz muito regimento

Acabando com o civil

E fazendo o casamento.

O anticristo nasceu

Para o Brasil governar

Mas ahi está o Conselheiro

Para deles nos livrar!

Visita vem nos fazer

Nosso rei D. Sebastião.

Coitado daquele pobre

Que estiver na lei do cão. (20)

 

Assim, o empenho do ensaísta é mostrar, documentado nas quadras selecionadas a partir de suas anotações de campo, o juízo que os sertanejos faziam da República a partir da orientação religiosa conselheirista e os argumentos com que combatia a nova forma de governo do país. Dentro de sua argumentação, toma esses textos como prova de suas próprias afirmações acerca dos canudenses.

O homem culto Euclides da Cunha, munido de um instrumental analítico fundametado nas teorias científicas da época e, particularmente, defensor da República enquanto ideal e como resultante natural do progresso da civilização, não aceita as afirmações dos sertanejos como válidas sequer para debate ou reflexão política. Rotula-as, então, como sendo índices do pensamento retrógrado, que considerava ser próprio de um estádio atrasado de civilização, em que se encontrariam os sertanejos. Paradoxalmente, a constatação e a avaliação negativa do ideário canudense tornam-se, na cadeia argumentativa de Euclides, um dado favorável a Canudos no julgamento político da intervenção militar. Definitivamente, Euclides fixa a consciência de que os canudenses não representavam uma ameaça real à instituição republicana, pois não constituíam um movimento político organizado na tentativa de restaurar objetivamente a Monarquia. Assim, o ensaísta procura mostrar que as idéias contrárias à República eram resultantes do atraso civilizatório, do estado de "ignorância" em que se encontrava a população sertaneja. Então afirma: "Requeriam outra reação. Obrigavam-nos a outra luta" (21). Sob essa ótica, a luta necessária não seria feita através da força militar e dos canhões, mas sim através da educação, das letras, das luzes, no processo de introdução dos sertanejos ao progresso, incorporando-os à nacionalidade. Esta constatação abre o caminho para a autocrítica e para a revisão de idéias anteriores, como a de que Canudos era "A nossa Vendéia" (22). A partir disso, Euclides interpreta a intervenção militar como um erro histórico, como um "crime da nacionalidade" contra patrícios, de que seu livro se oferece como denúncia e libelo.

A poesia de Canudos vista por outro ângulo

A abordagem da poesia de Canudos para além dos pontos de vista de Euclides da Cunha abre para a análise outros horizontes de interpretação. Lidos em sua inteireza e na seqüência verdadeira das quadras, os versos coletados e anotados na Caderneta de Campo expressam idéias que são perfeitamente inteligíveis. Os textos das quadras expressam o ponto de vista dos sertanejos com relação aos acontecimentos da Guerra, aos adversários e aos valores em confronto.

No primeiro abecê, encontra-se, de saída, uma avaliação negativa acerca da derrubada da Monarquia e a implantação do regime republicano. Seguindo o ensinamento do Conselheiro, os sertanejos acreditavam na investidura divina do poder monárquico. Assim, a República é vista como uma "desordem" que deverá ser corrigida pelo poder divino. Decorre disso a oposição recorrente no texto: a Monarquia representava a lei de Deus, enquanto a República representava a lei do ‘cão’ (designação corrente de diabo, personificação do mal, na linguagem sertaneja). Registram-se nos versos a consciência de que os republicanos eram influenciados por idéias estrangeiras, a crítica ao cunho militarista do novo regime, a censura aos padres e doutores que o apoiavam. Há, na seqüência, uma recusa veemente à implantação do casamento civil. Uma maldição é lançada aos republicanos:

 

Queimados seja aquele

Que a Deus não der lovor

do Ceo não espera nada

no Inferno acabarão.

 

Em seguida, registra-se a esperança na vitória da "lei de Deus", com a chegada de D. Sebastião com seus regimentos, para promover o restabelecimento da ordem. Há ainda um lamento e um pedido de perdão dignos de nota: (23)

 

Tanta gente que siassigna

nesta lei da falcidade

Xamemos por Jesus

que tenha de nós piedade

[...]

A meus Am.o Brasileiro?

perdão quero pedir

Isto tem de acontecer

não tem p.a onde fugir?

 

O segundo texto, intitulado ABC das incredulidades (24), narra, do ponto de vista dos sertanejos, eventos e detalhes da Guerra, dando ênfase aos reveses sofridos pela expedição comandada por Moreira César e reafirmando a disposição de luta dos canudenses, como se observa na seguinte estrofe:

 

Treis mil e 50 prassas

q. vinheram batalhá

toudos vieram a Bello Monte

i muitos poco ha de contá

porq. só quem pode he Deus

q. então perder não há

 

Definitivamente, não eram apenas "pobres papéis" sem valor. Tratava-se, na verdade, de fontes para uma visão histórica da Guerra, segundo a ótica dos vencidos. Os textos, produzidos no calor das batalhas, reafirmam, na forma e no conteúdo, os traços culturais sertanejos, constituindo-se como um discurso de resistência. Com efeito, os versos dos canudenses assumem uma posição frontalmente contrária aos valores republicanos que Euclides da Cunha defendia em nome da civilização, do progresso e da cultura "superior". Embasados não em pressupostos considerados válidos, mas sim na crença religiosa rústica, afiguravam-se ao ensaísta como tendo valor apenas por serem prova do atraso e da incultura dos sertanejos. Assim, no seu julgamento "valiam tudo" para a demonstração de suas teses, porque "nada valiam" em termos culturais. Conclui-se, desse modo, que a visão de Euclides ficou muito condicionada em decorrência de sua postura de análise e de sua crença nos ideais republicanos como expressão do progresso e da civilização, como um valor intrinsecamente positivo. Sua visão, embora crítica e fraturada pela tomada de consciência diante do crime perpetrado contra os sertanejos, está comprometida e determinada pelos valores da cultura oficial do século XIX. E isso é compreensível, uma vez que o ensaísta fazia parte dessa cultura e no seu contexto assumia lugar como intelectual e pensador.

O ponto de vista de Euclides da Cunha: algumas considerações

Quando Euclides da Cunha toma Canudos para tema de seus escritos, colocando-se no debate aberto em função da intervenção militar na vida do arraial sertanejo, o faz na condição de intelectual de formação militar e partidário do regime republicano recém-implantado. Como intelectual, era representante da cultura oficial, do espaço litorâneo, com uma formação embasada nos paradigmas da cultura européia de que o pensamento brasileiro era tributário. Como republicano, defendia o novo regime que considerava uma marca positiva de progresso e civilização. Como militar, tinha-se afastado da ativa por reforma, devido a algumas posições dissidentes em relação aos rumos e métodos militaristas da facção republicana florianista ou jacobina que assumira o governo do país.

Como se sabe, os primeiros escritos de peso sobre a questão de Canudos foram os dois artigos publicados no jornal O Estado de São Paulo (14 mar. e 17 jul. 1897), intitulados "A nossa Vendéia". Nos artigos, escritos sobre o impacto dos reveses das primeiras expedições militares, Euclides toma o partido do Exército, critica o presumido objetivo de restaurar a Monarquia atribuído aos canudenses e manifesta a convicção de que "serão desbaratadas as hostes fanáticas do Conselheiro" pelos soldados da República, "admiráveis de bravura e abnegação" (25).

Em um dos artigos, "Canudos (Diário de uma expedição)", escrito a bordo do navio Espírito Santo, em 7 de agosto de 1897, e publicado em O Estado de São Paulo (22 ago.), Euclides realça, com uma notável disposição militarista, a mesma convicção dos artigos anteriores, afirmando: "Que a nossa Vendéia se embuce num largo manto tenebroso de nuvens ... Rompê-lo-á, breve, a fulguração da metralha, de envolta num cintilar vivíssimo de espadas". E conclui o artigo com uma frase de efeito que é bastante expressiva do seu estado de espírito: "A República é imortal" (26).

Logo depois, Euclides chega ao local do conflito, como correspondente de Guerra do jornal paulista, e manifestará de forma crescente em seus textos uma mudança de ponto de vista. Walnice Nogueira Galvão rastreia essa transformação na seqüência dos textos enviados ao jornal, mostrando que a perplexidade de Euclides, no choque com a realidade, foi responsável pela mudança de sua ótica:

Destarte, tornam-se perceptíveis para o leitor os sucessivos choques que para Euclides implicou a tomada de contacto com a feia realidade da guerra, agravada pelo fato de ser uma guerra entre concidadãos. (27)

Assim, como afirma a ensaísta: A sexta correspondência, datada de 16 de agosto, assinala um momento de crise de consciência. Duvida do rápido término da campanha e começa a se interrogar sobre a razão que preside à resistência, inquebrantável ao mesmo tempo que suicida, dos jagunços. ... Nas dúvidas e nas interrogações, entremostra-se o perfil de um homem honesto, que quer descobrir a verdade, mesmo que ela lhe doa e lhe custe a confiança que tem no mundo que o cerca. (28)

Cinco anos após o final do conflito, Os sertões foi publicado registrando os eventos de Canudos, em que, ao lado da análise do fenômeno à luz das teorias cientificistas, o autor denuncia a intervenção militar como "um crime da nacionalidade". Assim, o seu discurso se constrói num jogo retórico de antíteses, em que as imagens positivas e negativas se justapõem e se entrechocam, como marcas dos seus impasses ideológicos e metodológicos, diante das imposições do rigor científico da abordagem e, ao mesmo tempo, diante da necessidade de formular uma denúncia eficaz.

Com efeito, a análise dos eventos de Canudos, dentro dos pressupostos filosóficos e científicos em voga, faz com que Euclides veja os canudenses como uma comunidade em atraso cultural, num estádio retrógrado de civilização, em estado de ignorância. Dentro dessa ótica, a civilização brasileira desenvolvida tinha o seu lugar na faixa do litoral, enquanto o sertão conservara-se à margem do processo civilizatório, ficando "fora da cultura". Contudo, do ponto de vista etnográfico, Euclides considera o sertanejo como uma sub-raça resultante do tipo de miscigenação mais adequada à formação da raça brasileira. Isto porque o homem do sertão seria o resultado da miscigenação do índio, considerado raça autóctone da América, com o europeu português, considerado a raça evoluída em grau superior de cultura e civilização. O sertanejo é visto como um elemento que estaria fora da cultura e que deveria ser integrado à nacionalidade, é visto como uma raça inferior, degenerada pela miscigenação, mas também como sub-raça viável para a definição etnológica da identidade nacional. Assim, ao mesmo tempo em que define uma identificação etnológica com relação ao mestiço sertanejo, demarca, em seu discurso analítico, o seu distanciamento etnocêntrico como integrante do grupo cultural litorâneo, ao julgar negativamente as manifestações culturais dos canudenses. Entretanto, ao presenciar a ação dos republicanos que cometem um genocídio contra os sertanejos, suas convicções se abalam e tornam problemática a sua identificação com o lugar cultural litorâneo. O homem e intelectual Euclides encontra-se, dessa forma, ao mesmo tempo, condicionado pelo aparato conceitual que norteia o seu pensamento e tocado pela aguda consciência adquirida ao presenciar a Guerra e conhecer a realidade sertaneja de perto. Dessa forma, a visão de Euclides acerca de Canudos torna-se complexa e problemática. A compreensão desse problema é sistematizada por Roberto Ventura, ao analisar a situação de Euclides diante do seu objeto de estudo. Segundo o ensaísta, a radicalidade do autor de Os sertões reside na preservação de um etnocentrismo elementar na abordagem da sociedade sertaneja e na concomitante ruptura com seus parâmetros iniciais, impedindo o retorno à cultura original, de extração liberal-republicana. Essa experiência de choque transforma em problema a constituição de identidade nacional, por meio da oscilação entre identificação etnológica e distanciamento etnocêntrico e pela dificuldade em estabelecer, através de positividades e negações, as margens de seu próprio campo semântico e cultural. (29)

Como já se afirmou, o discurso de Euclides da Cunha é ambíguo, marcado por um torneio retórico de antíteses, em que Antônio Conselheiro, seus seguidores e Canudos emergem da análise num jogo de contradições, ora positivados e admirados, ora negativados e execrados. Isso mostra o impasse de Euclides diante da realidade observada, diante da dimensão humana do conflito e diante das limitações do seu método de análise. Todavia, pode-se considerar que o seu distanciamento cultural se mantém em todo o percurso do ensaio. Em toda a extensão de seu discurso, verifica-se que ele fala do lugar litorâneo, ainda que de uma perspectiva problemática, condicionado pelas teorias que limitam o alcance de sua visão.

Eduardo Hoonaert assevera que "todo discurso humano é relativo a um determinado lugar, não existe discurso senão situado", pois "o lugar entra na própria constituição do discurso proferido pelo homem" (30). Assim, ao debruçar-se sobre o episódio de Canudos, Euclides o faz, e não poderia ser diferente, a partir da perspectiva do lugar litorâneo, seu espaço de inserção ideológico-cultural. O seu instrumental analítico era inerente à cultura oficial e diante da insuficiência desses pressupostos e sob o impacto da experiência pessoal, ele soçobra num profundo impasse. O resultado disso exprime-se na dicção angustiada do seu texto, quando o seu impasse torna-se expressão, estilo e retórica. Ao avaliar os fatos e suas motivações, ele confronta a realidade do espaço litorâneo, desnudando os equívocos e limitações da cultura oficial, com o espaço sertanejo, analisando as razões dos "atrasados" e o impacto de sua resistência. Assim, como num jogo de espelhos, todos os juízos desfavoráveis a Canudos do ponto de vista da abordagem cientificista tornam-se favoráveis do ponto de vista ideológico, como parâmetros que levam a considerar a intervenção militar como um crime perpetrado pelo grupo litorâneo contra os sertanejos.

Euclides poderia ter relativizado ainda mais suas posições sobre Canudos? É uma questão difícil de responder, embora se conheçam posições mais favoráveis de outros intelectuais da época como Machado de Assis, Rui Barbosa e Afonso Arinos. O fato é que as teses da loucura progressiva, do atavismo exacerbado, da psicose coletiva, dos estádios diferenciados de civilização das raças pesaram muito sobre sua análise, condicionando-a a julgamentos apriorísticos que diminuíram a possibilidade de uma avaliação mais equilibrada de Canudos. Por uma questão de coerência analítica, ditada pelos pressupostos teórico-metodológicos, ele deixa de ver outros aspectos do arraial de forma mais ampla: a sua vida comercial e seu cotidiano, por exemplo. Os aspectos selecionados e o vezo de demonstrar as formulações científicas levam-no quase sempre a fazer avaliações negativas e o comentários desqualificantes, embora não pudesse deixar de registrar sua perplexidade diante do desenlace da Guerra. Assim, os impasses despontam no texto como sinal positivo da evolução de seu pensamento. Euclides da Cunha mostra-se sempre um intelectual preocupado em "pensar" o Brasil de forma problematizadora, em face daquele momento histórico e do complicado processo de formação de uma sociedade que fosse capaz de integrar os diversos grupos humanos (litoral e sertão) na definição da identidade nacional. Enfim, independentemente da perda de sua vitalidade conceitual, a permanência e a atualidade de Os sertões se devem à veemência de sua denúncia, à sua pertinência histórica e à sua excelência literária, o que o sustenta como um marco fundamental da cultura brasileira.

 

Notas

  

. 1. CUNHA, E. Os sertões. São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura/Brasiliense, 1985.

. 2. Idem, p. 206-7.

. 3. Neste particular, Alfredo Bosi destaca a diferença da visão de Euclides da Cunha em relação à de Nina Rodrigues na abordagem dos aspectos considerados negativos ou degenerescentes peculiares à mestiçagem: "Em Nina Rodrigues, médico, a atenção a esse aspecto patológico e delinqüente dá o tom do enfoque, que em Euclides, seu discípulo, é compensado por uma franca admissão do valor pessoal, da energia física e expressiva dos sertanejos observados de perto em Canudos." Cf.: BOSI, A. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.332.

. 4. CUNHA, op. cit., p. 217.

. 5. Idem, p.221.

. 6. Idem, ibid.

. 7. Idem, p. 227.

. 8. NOGUEIRA, A. Antônio Conselheiro e Canudos.: revisão histórica/A obra manuscrita de Antônio Conselheiro e que pertenceu a Euclides da Cunha. São Paulo: Nacional, 1978. p. 23.

. 9. Id., loc. cit.

. 10. NOGUEIRA, op. cit., p. 170-4.

. 11. Idem, p. 175-82.

. 12. Idem, p.176.

. 13. Como se sabe, a deposição do monarca, a adoção do voto, a instituição de impostos nos municípios e a criminalização da celebração do casamento religioso antes do civil constituíam os pontos básicos da divergência de Antônio Conselheiro que, assim, via na República um regime de incrédulos que queriam acabar com a religião.

. 14. NOGUEIRA, A., op. cit., p. 181-2.

. 15. CUNHA, op. cit., p. 249.

. 16. Idem, ibid.

. 17. Idem, p. 250.

. 18. CUNHA, E. Caderneta de campo. São Paulo: Cultrix, 1975.

. 19. CUNHA. E., 1985, op. cit., p.250.

. 20. Idem, p. 780.

. 21. Idem, p. 251.

. 22. Título dos artigos publicados em 14. mar. e 17 jul. 1897, em O Estado de São Paulo, em que os sertanejos são comparados aos camponeses da Vendéia, França, que se bateram contra a Revolução Francesa. Cf.: GALVÃO, W. N. (Org.). Euclides da Cunha. São Paulo: Ática, 1984. p. 76-84.

. 23. CUNHA. E., 1975, op. cit., p.58-9.

. 24. Idem, p.59-61.

. 25. CUNHA, E. A nossa Vendéia. In: GALVÃO, W., op. cit., p. 84.

. 26. Idem, p. 86.

. 27. GALVÃO, W. N. De sertões e jagunços. In: ___. Saco de gatos: ensaios críticos. São Paulo: Duas cidades, 1976, p. 70.

. 28. Idem, p. 71.

. 29. VENTURA, R. "A nossa Vendéia": Canudos, o mito da Revolução Francesa e a formação de identidade cultural no Brasil (1897-1902). Revista do Instituto de Estudos Brasileiros,( São Paulo), n. 31, p. 129-45, 1990. p. 144.

. 30. HOONAERT, E. Discurso evangélico e discurso colonialista. In: ___ et al. História da igreja no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1983. v.II/1.

Aleilton Fonseca é professor do Departamento de Estudos Lingüísticos e Literários da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Cursa Doutorado na Universidade de São Paulo.