REVISTA ZONA DE IMPACTO. ISSN 1982-9108, VOL. 14, JANEIRO/JUNHO, ANO XII, 2010. 

A FORMAÇÃO DE NOVAS CENTRALIDADES EM ANÁPOLIS-GO: O CASO DA VILA JAIARA


Virgilio Tomás Garcia                

Geográfo pela Universidade Estadual de Goiás               
virgiliotomas@gmail.com               
          

Resumo: É no espaço intra-urbano que estão presentes as ações da sociedade. Ele possui uma dinâmica complexa e excludente, no qual há de se destacar fenômenos ligados à multiplicação e diversificação das áreas centrais. A partir da década de 1970, o Centro Tradicional de Anápolis passou por um processo de descentralização das suas atividades comerciais e de serviços para áreas adjacentes, criando subcentros voltados para classes distintas. Essas centralidades múltiplas e polinucleadas criam em Anápolis um verdadeiro mosaico, em que a segregação socioespacial se torna visível através da paisagem urbana. È através desta mesma paisagem, que se percebe a preocupação do poder público e dos agentes imobiliários em infra-estruturar áreas especificas da cidade, deixando, por outro lado, outros bairros muitas vezes sem a mínima infra-estrutura básica. Uma destas áreas especificas é a Vila Jaiara, bairro este que se constitui em uma centralidade que exerce papel relevante no espaço intra-urbano de Anápolis. Deste modo, o objetivo central desta pesquisa foi analisar a importância da Vila Jaiara na reestruturação do espaço intra-urbano de Goiânia, enquanto uma centralidade que atende parte da população anapolina.

Palavras-chave: Anápolis, Centralidade, Vila Jaiara.

Abstract: It is in the intra-urban space that are present the actions of the society. He possesses a complex and excluding dynamics, in which must stand out linked phenomena to the multiplication and diversification of the central areas. Starting from the decade of 1970, the Traditional Center of Anápolis went by a process of decentralization of your commercial activities and of services for adjacent areas, creating subcentros gone back to different classes. Those multiple centralidades and polinucleadas create in Anápolis a true mosaic, in that the segregation socioespacial becomes visible through the urban landscape. È through this same landscape, that is noticed the concern of the public power and of the real estate agents in infra-structuring areas specify of the city, leaving, on the other hand, other neighborhoods many times without the low basic infrastructure. One of these areas specifies it is the Vila Jaiara, neighborhood this that is constituted in a centralidade that exercises important paper in the intra-urban space of Anápolis. This way, the objective headquarters of this research was to analyze Vila Jaiara's importance in the restructuring of the intra-urban space of Goiânia, while a centralidade that assists part of the population anapolina.  
 
Key-words: Anápolis, Centralidade, Vila Jaiara. 

           Introdução


       Ao analisar a dinâmica interna de uma cidade, busca-se entender tanto a espacialização das classes sociais distintas como a dos equipamentos urbanos que criam espaços diferenciados, no qual a localização se torna fator importante.
           O espaço urbano é dotado de particularidades que são percebidas através da paisagem, a qual não pode ser entendida somente enquanto o visível, o aparente (SANTOS, 1997). É preciso a partir dela, fazer uma análise de fato, entender toda teia de significados por trás dela, e não só sua forma, mas a função que ela exerce no espaço. A ação do homem no espaço intra-urbano pode ser comprovada através da implantação dos objetos sociais, pois este produz e reproduz o espaço geográfico com seu trabalho.
           Sendo o espaço geográfico dinâmico, ele oculta em si uma série de elementos que compõe a espacialização das classes sociais e seus modos de vida. Isto se dá pelo fato de que a cidade como qualquer outra instância é manipulada pelos interesses, tornando ali um local de contrastes (CAVALCANTI, 2001).
            Em Anápolis é possível perceber a existência desses locais, e a Vila Jaiara, foco dessa pesquisa, se constitui em local de concentração de uma parcela da classe popular da cidade, que ao se fixarem levam consigo benefícios que acabam por dotá-lo de alguma infra-estrutura, impulsionando assim a formação de uma nova centralidade em Anápolis.
           Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi fazer um estudo acerca da dinâmica do espaço intra-urbano anapolino, especificamente a decadência de sua área central e o surgimento de novas centralidades em sua área periférica, em especial a Vila Jaiara.
           O trabalho está estruturado em três momentos, a saber: num primeiro far-se-á uma discussão acerca da “decadência” do centro tradicional de Anápolis e a formação de novas centralidades, num segundo a importância dos equipamentos urbanos na valorização socioespacial da Vila Jaiara, e por último, a discussão da formação da centralidade do referido setor.
           “Decadência” do Centro Tradicional de Anápolis e a formação de novas centralidades
           A área central de uma cidade é caracterizada por possuir uma diversidade de comércios e serviços, equipamentos de lazer, órgãos públicos, dinamizado por linhas de transporte coletivo e avenidas amplas dotada de acessibilidade e fácil localização. Criando diariamente na cidade, intenso fluxo de pessoas seja como portador de mercadoria força de trabalho, para o lazer e consumo (CORRÊA, 2001).
           Discutindo acerca do surgimento do centro, Villaça (1998, p. 239) afirma que:

O centro surge então a partir da necessidade de afastamento indesejados e obrigatórios. Ele como todas as “localizações” da aglomeração, surge em função de uma disputa: a disputa pelo controle [...] do tempo e energia gastos nos deslocamentos humanos.

           
           Esse afastamento gerado pela disputa por localizações no espaço intra-urbano acaba por segregar a classe de menor poder aquisitivo que não possuindo condições de viver próximo ao centro, são empurrados para locais sem infra-estrutura, tornando difícil o deslocamento da casa para o local de trabalho e mais ainda para o consumo e lazer o que para a classe de maior poder aquisitivo não é um problema. Conforme aponta Villaça (1998, p. 45), “A dominação através da estruturação do espaço intra-urbano visa principalmente à apropriação diferenciada de suas vantagens locacionais”.
           É notório o poder que o centro exerce, é nele que se dá diretamente as relações de produção e reprodução capitalista, é onde se encontra o domínio do tempo, um ponto dinamizado que conecta-se ao restante da cidade. Daí o interesse das classes sociais em dominá-lo.
           Essa disputa das classes sociais por melhor localização no espaço intra-urbano acaba por colaborar para a “deterioração” do centro, pois a classe de maior poder aquisitivo ao sair descentraliza as atividades comerciais e de serviços características do centro tradicional, para outras áreas formando novos eixos na cidade (VILLAÇA, 1998).
           A partir da década de 1960 os Centros Tradicionais no Brasil passaram por um processo de “decadência” (VILLAÇA, 1998). Essa deteriorização do Centro Tradicional é, conforme o mesmo autor, justamente o deslocamento das classes abastadas para regiões vizinhas e a tomada dele pelas classes populares.
           As classes de maior poder aquisitivo perdendo o interesse por essa área central saem em busca de outros locais que possam atender suas necessidades. Daí depreende-se que tais classes agregam em torno de si as atividades comerciais e de serviços e ao migrarem descentralizam para outras áreas da cidade atividades e serviços sofisticados e especializados que o centro não consegue mais oferecer.
           Mas não só as classes de maior poder aquisitivo descentralizam funções da área central para outras áreas, também as classes populares ao serem deslocadas para a periferia da cidade pelas classes mais abastadas, exigem que essas áreas sejam dotadas do mínimo de infra-estrutura, e dependendo do fluxo de pessoas e da infra-estrutura destes locais, pode-se desenvolver nesta área um subcentro popular, como é o caso da Vila Jaiara em Anápolis-GO.
           Sobre esse assunto, Paula (2003, p. 62) em sua dissertação de mestrado sobre a descentralização e segregação socioespacial em Goiânia, ressalta que:
[...] não é porque o centro tornou-se velho ou obsoleto que ele foi abandonado pelas camadas de maior renda. É que para elas ele já não é tão atrativo e nem atende mais aos seus interesses. Assim, vão surgindo áreas contíguas ou não a do centro tradicional, que incorporam os novos valores ou funções adotadas por aquelas outras.

           Anápolis apresenta uma configuração espacial bastante complexa, possui centralidades múltiplas e polinucleadas, ou seja, “múltipla, porque plural, há uma centralidade polinucleada, porque diferenciada” (Op. cit., p. 250). Cabe aqui diferenciar os conceitos de centro e centralidade, nas palavras de Beltrão Spósito (2001, p. 238):
           Se o centro se revela pelo que se localiza no território, a centralidade é desvelada pelo que se movimenta no território, relacionando a compreensão das centralidades, do plano conceitual prevalentemente à dimensão temporal da realidade.
           O que é central é redefinido em escalas temporais de médio e longo prazo pela mudança na localização de atividades. A centralidade é redefinida continuamente, inclusive em escalas temporais de curto prazo, pelos fluxos que se desenham através da circulação das pessoas, das mercadorias, das informações, das idéias e valores.
           Em Anápolis há a existência de centralidades voltadas para a classe abastada que oferece produtos sofisticados e as voltadas para as classes populares com comércio e serviços populares. Geralmente, o surgimento dessas centralidades está atrelado ao aparecimento de equipamentos como shopping centers e hipermercados (BELTRÃO SPÓSITO, 2001).
           No espaço intra-urbano de Anápolis esses novos fluxos são espacializados e materializados em duas centralidades, as quais atendem a públicos distintos, como no caso da Vila Jaiara voltado para as classes populares e do Bairro Jundiaí voltado para as classes mais abastadas.
            Nesse contexto, é que se encontra o Setor Jardim Goiás, um bairro de Goiânia que não surgiu como nobre e que na metade da década de 1980 e começo da década de 1990 vivenciou uma valorização espacial, fator este que propiciou a formação de sua centralidade, assunto que será discutido no próximo item.
           Equipamentos indutores da centralidade urbana da Vila Jaiara e suas principais atividades econômicas.
           A Vila Jaiara se localiza na Região Noroeste da cidade, e desde de seu surgimento ela se configurou como um bairro popular, pois foi projetado para abrigar os trabalhadores de uma industria ali localizada até o inicio dos anos 90. Com a desativação da indústria o comercio do local se fortaleceu ainda mais, pois a forte influência que o comercio da Vila Jaiara tinha nos bairros adjacentes se fortaleceu ainda mais, pois se tornou o principal fonte de renda dos moradores da região (Prefeitura de Anápolis, 1999), com isso a valorização da área de tornou constante.
           Ao analisar o processo de valorização, Marinho (2005) ressalta que: “O arranjo espacial das cidades, [...] traduz as relações de poder e conflito entre as classes sociais, as instituições, o particular e o universal. Na sociedade capitalista, esse poder é revelado a partir da apropriação do espaço”. Então, o solo urbano enquanto um instrumento do poder público tem o poder de distribuir as classes sociais na cidade de acordo com o poder aquisitivo de cada um. Ele orienta e estrutura o arranjo espacial da cidade, e consequentemente o perfil de seus habitantes.
           O solo urbano da Vila Jaiara, sofreu ao longo dos anos valorização. Isso pode ser observado na tabela 1.

TABELA 1 – Valores Médios de Imóveis (Residenciais) em alguns setores de Anápolis – Jan/1995 – Jan/2001 – Jan/2008

Setor

Área em m²

Valores em mil R$ 1995

Valores em mil R$ 2008

% de aumento

B. Jundiaí

600

40.00

120.00

300

B. Santa Maria

700

30.00

80.00

267

B. Cid. Jardim

450

40.00

100.00

250

B. Santa Izabel

400

25.00

70.00

280

B. Vila Jaiara

400

10.00

40.00

400

B. Vila Formosa

400

10.00

25.00

250

Fonte: Prefeitura municipal de Anápolis. Secretária Municipal de Habitação 2008.

           Ao analisar a tabela 1 percebe-se que uma área com 400 m² na Vila Jaiara que custava R$ 10.000,00 em janeiro de 1995 passou para R$ 40.000,00 em janeiro de 2008, o que equivale a 400% de aumento. Tal fato comprova que desde esse período vem o correndo à formação da centralidade do referido setor, se levar em conta que foi o maior percentual de aumento em relação aos outros setores de Anápolis. Com essa valorização do solo urbano se torna necessário fazer também uma análise das formas comerciais existentes na Vila Jaiara para uma melhor compreensão da cidade.
           As novas formas de comércios e os grandes equipamentos agregados em torno de si delineiam uma dinâmica complexa, diversificada. Estas formas comerciais evidenciam a produção e reprodução do modo de produção capitalista.
            Na Vila Jaiara o comercio a e área de serviços são as principais funções desempenhadas que a caracterizam como um subcentro. Todo o comercio e serviços do referido bairro estão concentrados na Avenida Fernando Costa que a principal do bairro que acabam configurando uma nova dinâmica no setor.
            As principais atividades comerciais e de serviços que se desenvolvem na no bairro estudado são: varejo, bancos, supermercados e serviços ligados a saúde. Nota-se que a maioria destas atividades encontra-se distribuídas no decorrer da Avenida Fernando Costa.
Destarte, essa reestruturação do Setor Jardim Goiás veio se constituindo ao longo dos anos novas dinâmicas, e os equipamentos urbanos instalados no local constitui em peças fundamentais para a formação da centralidade do referido setor, tal assunto será abordado no próximo item.

Vila Jaiara: uma centralidade consolidada

           Anápolis é constituída por duas centralidades destinada a um público específico. A centralidade da Vila Jaiara encontra-se consolidada, isso pode ser percebido através da especulação imobiliária e da atenção por parte do poder público nos últimos anos, e que a partir dos anos de 1990 surge como área de forte vocação para o comercio da cidade.
           Uma série de elementos exemplifica essa tendência: primeiro desde sua criação há na inconsciente da sociedade anapolina o símbolo de bairro comercial. Num segundo momento, a implantação dos equipamentos de grande porte que a própria lei de zoneamento permite como o Vicunha Shopping Center e Supermercados, tais equipamentos induzem a formação de centralidades, geram fluxos em torno de si além de aglutinar uma série de atividades econômicas e especialmente a direção do adensamento vertical. Em uma terceira análise, essa concentração de fixos instalados no local, atraem os olhares das classes mais abastadas pra a região não só para moradia mais também para fins comerciais, já que essa parte da população e a dona de grande parte dos empreendimentos da cidade.
           A Vila Jaiara já nos anos de 1970 já tinha as características de um subcentros, pois a partir do momento que a fabrica têxtil se instalou no setor, ele passou por uma serie de mudanças já que o bairro era muito afastado do centro da cidade, e a instalação da industria fez com que ele se desenvolvesse mais rápido que o restante dos bairros periféricos da cidade, pois a fabrica exigia o mínimo de infra-estrutura para se instalar e também para seus operários que teriam de se instalar por perto da industria, por isso o bairro sempre foi privilegiado pelo poder publico.  A relatos de moradores da época que falam que o bairro parecia ate uma outra cidade, pois tinha quase tudo que o centro tradicional tinha, com algumas poucas exceções como por exemplo hospitais que até hoje o bairro não tem.
            Todas essas questões levantadas acabam por denotar a ação direta de vários agentes modeladores do espaço urbano, este tem o poder de criar e recriar a fim de obter lucros. O proprietário fundiário agiu de forma a esperar a valorização do local, o agente imobiliário na especulação do valor do preço da terra e o Estado em beneficiar de certa forma os outros agentes, no que tange a aprovação de leis e de implantação de infra-estrutura.

Considerações Finais

           Uma das formas de se estudar o espaço intra-urbano é analisar a sua centralidade, em que se faz uma discussão da fragmentação urbana ocasionada pela distribuição das classes sociais na cidade. E sendo a localização a chave fundamental para o estudo intra-urbano, a “decadência” das áreas centrais que foi um dos assuntos abordados nesse trabalho é o processo no qual as classes perdendo o interesse por tal local se dispersam pela cidade a procura de novas localidades que possa atender a seus anseios. Outros pontos investigados no presente trabalho foi a presença de equipamentos urbanos instalados na Vila Jaiara que são indutores da centralidade.
            Concluí-se que essa centralidade exercida pela Vila Jaiara diferentemente do Bairro Jundiaí (que é uma centralidade voltada para a classe nobre) - que é constituída pela diversidade comercial e de serviços em diversas vias do bairro – se da de maneira esparsa no bairro e com funções especificas.
            Esse trabalho possibilitou um entendimento dos fenômenos presentes no espaço intra-urbano de Anápolis e os diferentes fluxos presentes nele, o uso que as classes populares fazem da cidade e o “não-uso” que a classe de maior poder aquisitivo faz da área, acentuando assim a segregação socioespacial.
            Tais fenômenos tornam a cidade dinâmica sendo necessário uma análise profunda das relações sociais e espaciais, pois essa reestruturação intra-urbana configura novos fluxos, e que essa análise da Vila Jaiara não se esgota, é somente um olhar lançado dentre os diversos que poderão surgir a respeito dos estudos urbanos.



Referências Bibliográficas

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